sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Meu Lugar - ARAPIRACA COMPLETA 91 ANOS

Ao completar 91 anos, Arapiraca tem uma população estimada de 230 mil habitantes de acordo com o IBGE. É listada atualmente como uma das melhores cidades para fazer negócio em publicação da revista EXAME.


Meu lugar mudou bastante, é verdade. Desde sua origem foi sinônimo de descanso, quando seu fundador Manoel André Correia dos Santos se encostou na árvore que deu o nome a cidade para aproveitar sua sombra.

Paradoxalmente, o trabalho sempre esteve presente no dia a dia da comunidade. Os trabalhadores do fumo que a fizeram a capital do fumo nos anos 70. E os homens e mulheres da feira-livre, uma das maiores do nordeste com uma variedade de produtos e manifestações culturais, lhe deram um sinônimo de um bom lugar para o trabalho.

Atualmente estamos crescendo, expandindo as taxas de ocupação urbana, aumentando o número de industrias, de serviços , mas também contamos com altos índices de violência, com um IDH municipal, índice de desenvolvimento humano do município é de 0,649 (Fonte: IBGE, 2010), um índice de Gini que mede a concentração de renda é de 0,43 (Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 e Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002/2003), contamos com um péssimo sistema de transportes municipal, a saúde pública carece de recursos.

Muitos desses problemas foram identificados pelo  Plano Decenal de Arapiraca, feito no Governo de Luciano Barbosa (PMDB) que apontava como tendências, por exemplo, o crescimento da cidade e atração da violência, aumento do consumo de drogas e prostituição, estrutura deficiente para garantir a segurança pública a interiorização da AIDS, crescimento urbano desordenado, verticalização, crescente necessidade de transporte coletivo. O Plano também apontou alguns pontos positivos, como:  aumento da escolaridade dos jovens, a profissionalização da ação cultural, esporte e cultura gerando renda.

Na educação e tivemos melhorias significativas, com as escolas de tempo integral e a criação de espaços voltados a prática educacional como pequenas bibliotecas, as Arapiraquinhas. O cenário cultural foi fortalecido com a otimização de projetos culturais e maior acesso a espaços para intervenções, como a tenda cultural. 

As ações da Secretaria de Estado da Segurança Pública tem diminuindo os números de Crimes Violentos Letais e Intencionais que de Janeiro a Setembro de 2014 foram 124 e no mesmo período desse ano registra 96 crimes, segundo números do Boletim Mensal da Estatística Criminal de Setembro de 2015 divulgado pela própria Secretaria. Esse número ainda precisa ser reduzido, como também os crimes de roubos e furtos que acontecem a luz do dia.

Mas, precisamos de mais atenção. Merecemos a implantação efetiva do saneamento básico, de políticas e ações concretas do uso do esporte para a educação e combate a violência social - e nesse aspecto uma maior atenção ao esporte amador nas comunidades deve ser alvo de atenção e suporte -, carecemos de um sistema de transporte público mais abrangente e digno de uma cidade que é centro de convergência estratégico na região e que há anos ouve uma promessa fantasma de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ser apontado como uma alternativa.

Hoje, mais uma vez parabenizo essa terra que amo. Minha Arapiraca faz 91 anos com um povo acolhedor que merece mais atenção, merece um legislativo municipal mais qualificado e autoridades do executivo mais focadas no desenvolvimento da cidade do que na manutenção de conchavos e sobrevida política.


@jonesferro

terça-feira, 3 de março de 2015

O Zuum que marcou a minha vida

Hoje, eu me arrependo.
Me arrependo de ter criado tantas desculpas para não ir em busca de um sonho.
Sempre havia uma desculpa. A falta de grana, o tempo, a distância.
Mas a verdade é que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".

Hoje, vou ter de recolher meu sonho.
Vivi, mas não fui capaz de ir a um show da dupla Milionário e José Rico, na minha opinião a maior do Brasil.
Tive o privilégio de diariamente ouvir suas músicas, o que farei sempre. Mas, a vontade de ouví-los pessoalmente era imensa, e sonhava as vezes com isso. Pude vê-los a distância. Lembro que em agosto do ano passado pude acompanhar em tempo real pela internet Milionário e José Rico dividindo o palco de Barretos com Chitãozinho e Xororó diante de um público de 90 mil pessoas. E esse momento foi tão mágico. Uma generosidade e humildade que geravam uma sincronia perfeita entre as duas duplas. 

Hoje Zé Rico deixou "a longa estrada da vida", o "final desta vida chegou".
Um dos maiores nomes da música brasileira, que em seu gênero era compatível com um Cartola do Samba, uma Elis Regina da MPB.
Não. Ele valia um ZÉ RICO, um ZUUM inteiro desse Brasil.

Hoje minha alma chora. Chora a partida de um gênio e sua "Garganta de Ouro".
Para o mundo fica a obra de um artista consciente de seu valor, um artista que construía um castelo, que não terminou. Nem poderia, pois nenhum castelo seria suficiente para a majestade de seu talento.

Para mim, a lição de não esperar o amanhã e de evitar a todo custo as desculpas.
A estrada da vida é longa, mas se não vivermos como queremos no final terá sido tortuosa. Afinal, como ele cantou em "Vontade Dividida": "[...]eu preciso da verdade pra viver a vida",













Zuum, obrigado pelas músicas, pela arte, pelo canto.
Obrigado por essa longa estrada que foi a sua vida!




Seu eterno fã, @jonesferro

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

TORCEDOR DO ASA - Que torcer é esse?



Após um 2014 ruim o ASA teve sua relação com o torcedor desgastada. As eleições no clube foram antecipadas e uma chapa com jovens foi formada. Não havia momento mais inoportuno para esse grupo assumir. Mas, assumiram. Com a juventude, novas ideias e um ímpeto renovado para lidar com os problemas relacionados a administração de um clube de futebol. Com uma situação financeira complicada o clube demandou muito esforço inicial da nova diretoria que aos poucos está solucionando os problemas.

Em campo, depois de amistosos e a participação na fase de classificação do estadual, a equipe parte rumo as semifinais. Na Copa do Brasil eliminou o segundo jogo da primeira fase vencendo a equipe do São Raimundo-RR com um placar de 3x1.

Estamos na semifinal do estadual, temos no comando técnico da equipe um renomado treinador, com conquistas reconhecidas no ASA e continuamos na Copa do Brasil. Mas são poucos os torcedores nesse momento. Qual o motivo?

O preço dos ingressos, talvez.

Certo, vamos ter uma rápida conversa sobre isso.

Das três partidas que o ASA mandou na fase de classificação do Alagoano, o preço dos ingressos foram R$ 20,00 o setor mais barato e R$ 30,00 o setor mais caro, o que teoricamente garantiria uma boa arrecadação. O clube respeita a "meia entrada", o que proporciona nessa modalidade a preços de R$ 10,00 e R$ 15,00.

Considerando as três partidas oficiais mandadas pelo ASA esse ano, a média de público é de 2.251 espectadores. Pior que isso é a média de público pagante de R$ 1.251 espectadores, ressalte-se o último jogo contra o Murici que teve – pasmem - 607 pagantes. Compondo isso, a média de ingressos de meia entrada nesses jogos foi de 607. Não é preciso muito esforço para se decepcionar com o resultado.

Mas ainda assim, o torcedor justifica não ir ao estádio porque o ingresso está caro.

A composição de preço de um produto/serviço faz parte do posicionamento deste no mercado. Sendo assim, é incompatível associar o termo “GIGANTE” ao clube e ligar para o programa de rádio local ou comentar na roda de amigos que o ingresso deveria ser de R$ 10,00 (lembrem-se da meia entrada).

O papel do torcedor é ir ao estádio torcer e não analisar os custos de realização de uma partida. Mas, qualquer torcedor pode acessar o site da Federação Alagoana de Futebol e ter acesso aos “borderôs” de todos os jogos da competição, documento que informa os números da partida com detalhamento de receitas e despesas fiscalizadas pela federação. Nele é possível verificar que 8% da renda dos jogos vai diretamente para a FAF, e ainda que após deduzidas as despesas são deduzidos 3% para a ACDA (Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas) “???”. Constam também diversas outras despesas como, por exemplo, a “Remuneração do Quadro Móvel da Federação” e mais 20% de INSS sobre essa remuneração, as “taxas locais” e por aí vai (clique aqui e confira).

Assim será fácil verificar que, por exemplo, no jogo contra o Murici o clube alvinegro obteve um prejuízo de R$ 1.690,50 e que a partida mais lucrativa para o ASA foi contra o CSE com um público pagante de 1977 pessoas que proporcionou um saldo líquido de R$ 18.405,90.
Sei das proporções, mas só para informar que o CSA no jogo contra o Santa Rita obteve R$ 74.940,97 de saldo líquido. Isso se deve ao torcedor, e somente ao torcedor.

Se imaginar as outras despesas que compõem as contas de um clube de futebol, o torcedor verá que a coisa não é tão fácil assim. Mas, isso não é tarefa de torcedor, afinal o papel do torcedor é ir ao estádio torcer.

Aí está o problema. O tão apaixonado torcedor arapiraquense e da região circunvizinha que juntava os amigos para ir ao Coaracy, parece protelar sua ida ao estádio. O ASA não está enfraquecido, mas sim o seu torcedor.

As participações na Série B e a emocionante Copa do Nordeste mexeram com o ego dos arapiraquenses e, como isso não se manteve, o torcedor se recusa a ser humilde e estar ao lado do time. É nesse momento que aquela frase que tanto magoa parece ter um fundo de verdade: “O ASA não tem torcida!”.

Me recuso a acreditar nela, mas me decepciono ao ver o número de pessoas no estádio em Arapiraca e perceber que o CSE obtém maior público em Palmeira dos Índios.

Quando escuto o torcedor falar que o ASA precisa se profissionalizar, mas o valor do ingresso está caro a R$ 20,00 entendo que se depender do torcedor o ASA nunca será profissionalizado.

As matérias que ressaltam a paixão do arapiraquense pelo ASA me emocionam, mas a emoção cai por terra ao saber que temos um quadro de sócios muito aquém do potencial e que boa parte está inadimplente. Talvez com as mudanças no programa de sócio torcedor promovidas pela nova diretoria, inserindo modalidades a partir de quinze reais mensais, a torcida “tão apaixonada” possa provar o contrário.

A nova gestão também disponibilizou títulos de sócios patrimoniais no valor de R$ 250 reais. Eu, não perdi tempo e comprei um pretendendo participar ativamente da vida do meu clube, indo as assembleias e votando questões importantes. Cada um contribui como pode, mas apoiar só nas glorias não é ser torcedor, nó máximo folião de bloco.

Não consigo compreender como uma marca tão forte é desvalorizada por seus próprios “torcedores". Não generalizo, mas aqueles que apóiam indo ao estádio, são poucos. Também tenho reservas com Torcidas Organizadas, mas é certo que, a maior frequência de apoio, independente de fase, vem delas.

Em dia de jogo o torcedor senta no sofá de casa, vai ao cinema com todo aquele conforto “que vale a pena pagar”, vai ao barzinho, viaja até a praia. Mas, ir ao estádio apoiar o seu time, “talvez na final do campeonato, se o time não fizer raiva”.

Conveniência para mim só a do posto de gasolina. No dia que o ASA joga no Municipal meu lugar é na arquibancada comendo um espetinho e incentivando o meu time. Em dia de jogo, não há fast-food, cinema ou pay per view que sejam do meu agrado.

Mas, cada um com seus gostos e cada torcida com seus costumes.

O meu time se classificou em primeiro lugar para as semifinais do estadual, pode ser campeão alagoano, passou de fase na Copa do Brasil e tem uma série C pela frente. Eu não sei quanto aos demais "torcedores do ASA", mas no próximo jogo eu estarei no estádio municipal.



@jonesferro